Na nossa Dose de Cafeína desta vez, o café vira sobremesa e daquelas que conquistam primeiro pelos olhos. O protagonista é o Affogatomisù, criação de Paulo Posteral, que une a intensidade do espresso ao creme gelado inspirado no clássico tiramisù. Nas mãos do barista, mestre de torra e Q-Grader Paulo Posteral, fundador do Café La Regence, em Andradina, interior de São Paulo, esse clássico ganhou uma interpretação particular: o Affogatomisù.A ideia nasceu de uma pergunta aparentemente simples: e se, em vez do sorvete tradicional, o affogato recebesse o creme do tiramisù?Paulo levou o creme ao freezer até conseguir a consistência necessária para formar bolas e fez dele o elemento gelado da sobremesa. O sabor que remete ao tiramisù aparece no encontro do creme com o espresso quente. Segundo Paulo, “O affogato é a prova de que simples não é fácil”. O café precisa chegar realmente quente, enquanto o creme deve estar firme e gelado.Servir um espresso morno por receio de derreter a sobremesa elimina justamente o efeito que se procura. E há outro detalhe importante: o café precisa ser bom o suficiente para ser bebido puro. Para o Affogatomisù, Paulo recomenda cafés de torra média com doçura alta, acidez baixa a média. Entre as notas sensoriais, chocolate, caramelo, castanhas e rapadura são boas companhias para o creme.Ele indica perfis sensoriais de cafés do Sul de Minas, Mogiana e Cerrado. Mais importante do que simplesmente procurar uma determinada origem, porém, é observar a data de torra e ter a experiência e o frescor de moer o café em grãos na hora.A receita rende aproximadamente 450 gramas, ou cinco a seis porções, e pede cerca de 20 minutos de preparo, além de pelo menos 4 horas de freezer. Ingredientes: Preparo:Misture as gemas com metade do açúcar em uma tigela e leve ao banho-maria, mantendo a água quente, sem ferver.Bata por seis a oito minutos, até as gemas clarearem e dobrarem de volume. Se utilizar termômetro, Paulo orienta chegar aos 70 °C e manter essa temperatura por cerca de dois minutos.Retire do banho-maria e continue batendo até amornar. Em outra tigela, bata o cream cheese com o restante do açúcar e a baunilha, apenas até obter uma mistura lisa. Incorpore as gemas em três etapas, delicadamente, com uma espátula.Cubra o creme com filme em contato com a superfície e leve ao freezer por no mínimo quatro horas. Deixar de um dia para o outro melhora o resultado. Antes de servir, retire cerca de dez minutos antes, para que seja possível formar as bolas. A montagem também tem seu ritual.Paulo recomenda deixar a xícara ou taça no freezer durante aproximadamente 15 minutos. Coloque nela duas pequenas bolas do creme, cerca de 80 gramas, e só então prepare o espresso.A referência usada por ele é 18 gramas de café moído para uma extração de 36 a 40 gramas na xícara, entre 25 e 30 segundos. O espresso deve ser despejado imediatamente sobre o creme, devagar, em fio, de preferência diante de quem vai provar.Para quem não tem máquina de espresso em casa, a alternativa indicada é preparar um café curto e bastante concentrado em uma cafeteira italiana e levá-lo diretamente à sobremesa. A principal dica para quem vai tentar a receita pela primeira vez é ainda mais simples: faça o creme na véspera. Pouco tempo de freezer deixa o creme sem estrutura e o café quente pode transformar tudo em uma mistura líquida.A história de Paulo com o café começou cedo. Aos 17 anos, ele havia ido para Araçatuba estudar Ciência da Computação.Ele fez seu primeiro curso de barista em 2005 e, no ano seguinte, aos 19 anos, abriu a La Regence, em Andradina. Em 2026, a cafeteria completa 20 anos. Nas redes sociais, essa experiência ganhou outro alcance com a série “100 Receitas de Cafeteria para Fazer na Sua Casa”, criada para mostrar que muitas bebidas aparentemente restritas às cafeterias podem ser reproduzidas em casa com técnica e bons ingredientes.Segundo Paulo, um dos cafés gelados da série, feito com paçoquita, ultrapassou nove milhões de visualizações. Mas, no fim das contas, há algo que ele gostaria que mais gente descobrisse antes mesmo de preparar receitas elaboradas: a doçura natural do café.A sugestão é provar primeiro sem açúcar e procurar sabores que possam lembrar chocolate, caramelo ou frutas. E entender também que aquela xícara é o resultado de uma longa cadeia de trabalho, do cultivo à torra.Fica o convite da nossa Dose de Cafeína, experimente, descubra novos sabores e permita que o café continue surpreendendo, seja na xícara ou na sobremesa.No fim, entre receitas, histórias e descobertas, uma coisa não pode faltar: respeito por tudo o que existe por trás de cada xícara. Ou, como resume Paulo Posteral: “Respeita o grão.✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp











