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Por Rodrigo Resende | 06/10/2026 às 16:02

NESA by makers/ Unsplash
Por muito tempo, a transformação digital foi apresentada como uma corrida tecnológica. A empresa que migrasse para a nuvem primeiro, automatizasse mais processos ou adotasse inteligência artificial mais rapidamente estaria à frente. Essa visão acelerou os investimentos, mas também criou uma confusão importante: adotar tecnologia não é necessariamente transformar um negócio.
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Uma pesquisa global da Gartner com aproximadamente 3,1 mil CIOs e executivos de tecnologia e mais de 1,1 mil líderes de outras áreas revelou que apenas 48% das iniciativas digitais atingem ou superam seus objetivos de negócio. Entre as organizações em que executivos de tecnologia e negócio compartilham a responsabilidade pela transformação, o índice chega a 71%.
Os números mostram que o desafio não está apenas em escolher boas tecnologias, mas em saber onde aplicá-las e como conectá-las a resultados concretos. Foi a partir dessa reflexão que separei alguns dos principais mitos que ainda cercam a transformação digital e que podem estar impedindo empresas de extrair todo o potencial de seus investimentos em tecnologia. Confira:
Mito 1: transformação digital começa pela tecnologia
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É comum que uma iniciativa de transformação comece com a pergunta: “qual tecnologia precisamos implementar?”, mas o ponto de partida deveria ser outro: “qual problema precisamos resolver?”
Uma nova plataforma pode ser excelente e, ainda assim, não solucionar o principal gargalo de uma organização. O mesmo vale para a inteligência artificial: uma ferramenta sofisticada terá pouco impacto se aplicada a uma etapa que não representa um problema relevante para o negócio.
Transformação digital exige clareza sobre o resultado esperado: reduzir custos, melhorar a experiência do cliente, aumentar a produtividade, criar novas receitas ou tornar a operação mais escalável. A tecnologia entra como meio para alcançar esse objetivo e o sucesso deve ser medido pelo impacto produzido no negócio, não apenas pela implantação de sistemas ou funcionalidades.
Mito 2: digitalizar um processo é transformá-lo
Colocar um processo existente dentro de uma ferramenta digital não significa, necessariamente, transformá-lo. Se uma operação é burocrática, cheia de etapas desnecessárias e dependente de aprovações manuais, simplesmente transportá-la para um sistema pode torná-la digital, mas não mais eficiente.
Essa é a diferença entre digitalização e transformação: digitalizar é utilizar tecnologia para reproduzir ou automatizar uma atividade; transformar é questionar se aquela atividade, da forma como existe, ainda faz sentido.
Isso se torna especialmente importante diante do acúmulo de sistemas legados, plataformas desconectadas e integrações improvisadas. Uma empresa pode ter mais tecnologia e, ao mesmo tempo, mais complexidade.
Um estudo da Deloitte, por exemplo, ajuda a explicar por que essa mensuração é tão importante. A pesquisa mostra que as empresas que acompanham seus investimentos digitais por meio de um conjunto mais amplo de indicadores são 22% mais propensas a obter valor deles. Isso significa olhar além de métricas como produtividade e acompanhar também impactos financeiros, na experiência do cliente, nos processos e nas próprias equipes. Medir resultados, portanto, não deve ser uma etapa posterior à transformação, mas parte da estratégia desde o início
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Mito 3: inovação é sinônimo de inteligência artificial
A inteligência artificial ocupa um espaço central na transformação digital, mas reduzir a inovação à IA é limitar demais o próprio conceito de transformação. Nos últimos anos, a velocidade com que novas aplicações de IA chegaram ao mercado criaram a sensação de que inovar significa, necessariamente, incorporar inteligência artificial à operação. Mas inovação não acontece apenas quando uma nova tecnologia é adotada. Ela também pode surgir da revisão de um processo, da integração de sistemas, de uma nova forma de analisar dados ou da criação de uma experiência diferente para o cliente.
Os próprios dados sobre IA mostram que existe uma distância entre experimentar a tecnologia e gerar impacto real. Segundo a McKinsey, 62% dos respondentes afirmam que suas organizações já experimentam agentes de IA, mas quase dois terços ainda não começaram a escalar a tecnologia pela empresa. Apenas 39% relatam algum impacto da IA sobre o EBIT no nível corporativo.
O ponto, portanto, não é escolher entre IA ou outras tecnologias. É entender qual solução pode produzir a mudança que o negócio precisa.
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Mito 4: transformação digital é responsabilidade da TI
Quando a transformação é tratada como um projeto de TI, o restante da organização tende a assumir o papel de usuário ou solicitante. Esse modelo pode funcionar para projetos pontuais, mas é insuficiente para uma mudança que pretende alterar processos, operações e modelos de negócio.
A tecnologia precisa estar próxima de quem conhece o negócio, o cliente e a operação. Isso também amplia o papel do CIO: mais do que cuidar de sistemas e infraestrutura, ele passa a atuar como articulador da estratégia digital. Ao mesmo tempo, executivos de negócio precisam desenvolver maior fluência tecnológica para participar das decisões.
Mito 5: transformação digital é um projeto com começo, meio e fim
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Uma empresa não se torna “digital” quando termina a implantação de uma plataforma. Tecnologias evoluem, comportamentos mudam, novos modelos de negócio surgem e as expectativas dos clientes se transformam. A transformação, portanto, precisa ser contínua.
Isso significa criar uma capacidade permanente de identificar problemas, testar soluções, medir resultados e ajustar a rota.
Entenda também o custo dos sistemas legados: quando o passado impede o crescimento.

