Candidaturas femininas se destacam e ex-primeira-dama aparece em posição de destaque nas pesquisas eleitorais

28 set 2026 - 04h58

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- Por: João Marcello Santos

Michelle Bolsonaro (PL), Leila do Vôlei (PDT), Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT).

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O número de mulheres na disputa por uma vaga no Senado chegou a 69 nas eleições deste ano, e quatro candidatas lideram as intenções de voto no Distrito Federal, por exemplo. Segundo as últimas pesquisas eleitorais, Michelle Bolsonaro (PL), Leila do Vôlei (PDT), Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT) estão na frente na disputa por duas vagas no Senado.

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Um detalhe que chama a atenção de analistas políticos vai além do protagonismo das candidaturas femininas na corrida pelo Senado. De acordo com a professora do Instituto de Ciência Política (IPOL) da Universidade de Brasília (UnB), Beatriz Sanchez, a disputa também é marcada pela diversidade ideológica.
“Não é só que estamos tendo candidaturas fortes de mulheres da direita ou da extrema-direita, como é o caso da Michelle e da Bia Kicis, as duas candidatas do PL, mas também a presença forte de candidatas mulheres no campo da esquerda ou da centro-esquerda, como é o caso da Leila do Vôlei e da Erika Kokay”, observa.
A corrida pelo Senado no Distrito Federal ocorre em um cenário de atenção crescente ao eleitorado feminino, que é maioria no Brasil. De acordo com a professora da UnB, porém, a relevância desse público não está apenas no aspecto quantitativo, mas também nas pautas apresentadas pelas candidaturas.
“Todo mundo está prestando mais atenção ao eleitorado feminino no período mais recente, não só por ser numericamente maioria do eleitorado, que tem o poder de decidir os rumos da eleição, mas também há uma dimensão qualitativa: quais são as pautas e os temas que essas candidaturas defendem e qual é o conteúdo das políticas públicas que as mulheres defendem também do ponto de vista do eleitorado.”
Nesse sentido, a professora cita a defesa da família como uma pauta presente nas candidaturas de Michelle e Bia Kicis. “Podemos pensar, por exemplo, na questão da família, da defesa da família e desse protagonismo da mulher como uma pessoa que deve chefiar o lar. Essa é uma pauta muito presente nas candidaturas da Michelle e da Bia Kicis, por exemplo, e isso tem se enraizado dentro da sociedade brasileira. É a perspectiva da defesa da família como um núcleo que organiza a sociedade.”
A eleição para o Senado também marca a estreia de Michelle Bolsonaro em uma disputa eleitoral. Ex-primeira-dama entre 2019 e 2022, ela ganhou projeção política durante o governo do marido, Jair Bolsonaro PL), e passou a ganhar destaque entre os apoiadores do ex-presidente. Agora, concorre pela primeira vez a um cargo eletivo e aparece como favorita a uma das vagas no Senado no Distrito Federal.
Michelle leva disputa para o campo nacional
A estreia eleitoral de Michelle também diferencia a ex-primeira-dama das demais candidatas. Para Beatriz Sanchez, a projeção nacional adquirida durante o período em que ocupou o Palácio do Planalto e sua ligação com Bolsonaro ajudam a explicar o desempenho nas pesquisas.
“Eu acho que ela é um nome de projeção nacional. É um dos principais nomes do bolsonarismo no Brasil hoje. Então, por exemplo, ela tem essa diferença em relação à Erika Kokay e à Leila, que têm o nome mais relacionado à sua base aqui no Distrito Federal”, analisa.
De acordo com a estudiosa, um eventual resultado positivo da ex-primeira-dama seria um indicativo não apenas da força do eleitorado bolsonarista no Distrito Federal, mas sobre a relevância do movimento no cenário político brasileiro.
Particularidades do eleitorado do DF
Outro elemento com potencial de influência na disputa é o peso da religião no Distrito Federal. Beatriz Sanchez cita como exemplo o Dia do Evangélico, feriado distrital, e afirma que o fator religioso aparece com força no eleitorado local.
“Por estarmos no Distrito Federal, lugar que concentra as nossas instituições políticas nacionais - o Congresso está aqui, o presidente da República está aqui -, isso, de certa forma, traz um caráter mais nacional para a disputa eleitoral no DF que, em outros lugares, não temos tanto.”
Para ela, essa característica pode favorecer candidaturas com projeção nacional, como a de Michelle.
Participação feminina em destaque
A presença de quatro mulheres entre as candidaturas mais competitivas também é apontada pelas próprias campanhas como um reflexo de maior participação feminina na política. Para o entorno de Leila do Vôlei, o cenário é positivo para ampliar a presença de mulheres na disputa por espaços de poder.
“É muito positivo ver mulheres disputando vagas e construindo campanhas competitivas. Queremos ter voz, participar das decisões e ocupar os espaços que também nos pertencem”, afirmou uma porta-voz da campanha.
O Terra entrou em contato com a campanha de Michelle Bolsonaro, Bia Kicis (PL) e Erika Kokay (PT), mas não teve retorno até a publicação da reportagem.
Fonte: Portal Terra
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