Secretário da Força Aérea dos EUA afirma que as armas são necessárias para defender o país contra ações inimigas.

15 set 2026 - 06h54

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- Por: Bernd Debusmann Jr; Chris Graham

Resumo

Os EUA confirmaram pela primeira vez o envio de uma arma à órbita terrestre, visando proteger seus satélites e ativos estratégicos contra potenciais ameaças de adversários como Rússia e China. Embora detalhes técnicos não tenham sido divulgados, especialistas sugerem tecnologias de guerra eletrônica ou meios cinéticos. A iniciativa reacendeu tensões globais e gerou alertas de Pequim sobre o risco de uma nova corrida armamentista no espaço sideral.

A Base Espacial Pituffik (antiga Base Aérea de Thule) é mostrada no norte da Groenlândia, em 4 de outubro de 2023. A imagem mostra uma grande antena parabólica em frente a contêineres, com um céu alaranjado e nublado ao fundo.
![Era um dilema horrível que ele [homem da foto] enfrentou, sufocar ou cair, e escolheu a segunda opção Foto: Richard Drew para AP](https://familiacontexto.com/media/2026/09/7832d3ba61a36388e9e6e02c.jpg)
Foto: Thomas Traasdahl/Ritzau Scanpix/AFP via Getty Images / BBC News Brasil

Os Estados Unidos confirmaram que colocaram uma arma espacial na órbita da Terra — a primeira vez que reconheceram oficialmente possuir esse tipo de capacidade ofensiva.

O secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, afirmou que a arma "em órbita" é necessária para proteger as forças americanas contra ações hostis de inimigos.
![Era um dilema horrível que ele [homem da foto] enfrentou, sufocar ou cair, e escolheu a segunda opção Foto: Richard Drew para AP](https://familiacontexto.com/media/2026/09/d0d4bcc072cf8dc9fc583ede.jpg)
Falando na Air, Space and Cyber Conference na segunda-feira (14/9), Meink disse que os EUA estão preparados para enfrentar "ameaças em evolução", mas não deu mais detalhes sobre as capacidades da arma nem sobre quando ela foi colocada em órbita.

Líderes militares de alto escalão já haviam afirmado anteriormente que planejavam ampliar as capacidades militares no espaço, citando programas da Rússia e da China que desenvolvem formas de atacar e interromper satélites americanos em um futuro conflito.

A China respondeu na terça-feira alertando contra uma "corrida armamentista" no espaço.
"Instamos o lado americano a parar de expandir suas capacidades militares e de se preparar para a guerra no espaço sideral", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores durante uma coletiva de imprensa, informou a AFP.
Detalhes sobre o funcionamento da arma não foram divulgados por autoridades americanas.
Um porta-voz da Força Espacial dos EUA afirmou: "O controle espacial abrange as áreas de missão necessárias para disputar e controlar o domínio espacial, empregando meios cinéticos e não cinéticos para afetar as capacidades de adversários por meio de interrupção, degradação e até destruição, se necessário."
"Essas capacidades podem ser empregadas para fins ofensivos e defensivos sob orientação dos comandos combatentes."
Bleddyn Bowen, especialista em usos militares do espaço sideral, observou que muito pouco se sabe publicamente sobre a tecnologia e disse à BBC que pode haver "toda uma gama de diferentes sistemas de armas".
Bowen afirmou que está "especulando completamente", mas acredita que os EUA poderiam estar se referindo a "algum tipo de plataforma de guerra eletrônica ou de interferência de rádio".
Esse seria o tipo de arma que já existe na Terra e poderia interromper comunicações por rádio, disse Bowen.
Uma alternativa seria "algum tipo de veículo de destruição cinética, ou seja, um veículo que lançaria algum tipo de projétil capaz de colidir com um satélite e destruí-lo".
Mas isso seria menos provável porque uma ferramenta fisicamente destrutiva desse tipo poderia gerar uma grande quantidade de detritos.
O governo Trump tinha afirmado que capacidades baseadas no espaço, assim como mísseis interceptadores, são parte crucial do sistema de defesa "Golden Dome", planejado para proteger os EUA de mísseis e outras ameaças aéreas.
Um tratado de 1967 proibiu armas de destruição em massa em órbita. Desde então, potências importantes, incluindo EUA, Rússia e China, vêm explorando outras capacidades não abrangidas pelo tratado, como a possibilidade de atingir satélites rivais, que são fundamentais para comunicações militares, vigilância e navegação.
No ano passado, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva destacando o papel da Força Espacial dos EUA não apenas na defesa de ativos, mas também como força de ataque.
A Força Espacial dos EUA, o primeiro novo ramo das Forças Armadas americanas em mais de 70 anos, foi criada em 2019 como uma forma de proteger os ativos dos EUA no espaço, incluindo centenas de satélites utilizados para comunicação e vigilância.
No início de fevereiro, foi revelado que dois satélites russos provavelmente interceptaram as comunicações de pelo menos uma dúzia de satélites europeus desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Essas interceptações podem ter permitido aos serviços de inteligência russos ler os dados sensíveis transmitidos por eles ou, hipoteticamente, até mesmo assumir o controle dos satélites.
Em 2024, os EUA afirmaram que a Rússia havia lançado um satélite que acreditavam ser capaz de atacar outras sondas desse tipo. A Rússia não comentou publicamente o assunto.
A Força Espacial dos EUA afirma que a China "desenvolve e opera capacidades espaciais e antiespaciais como parte de uma estratégia de modernização militar", enquanto a Rússia "vê o espaço como um domínio de guerra e acredita que a supremacia espacial será um fator decisivo em futuros conflitos".
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