Dados das eleições presidenciais de 2010 a 2022 analisados pelo Metrópoles mostram que a abstenção de eleitores não costuma diminuir no segundo turno. Isso afeta diretamente uma das principais estratégias do PT para tentar reverter o resultado do 1º turno: incentivar o comparecimento nos locais onde houve maior abstenção em 4/10.Das quatro disputas realizadas de 2010 a 2022, três registraram aumento no índice de não comparecimento na segunda rodada de votação. A exceção foi 2022, quando a taxa caiu.Neste ano, o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 registrou o maior número de abstenção de votos dos últimos 28 anos para um pleito geral. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o índice foi de 21,08%, o que representa 33,4 milhões de eleitores ausentes. O maior índice já registrado foi 1998, quando 21,49% do eleitorado deixou de comparecer.O índice do primeiro turno deste ano é muito próximo do registrado em 2022. À época, 32.770.982 eleitores, ou 20,95%, não votaram. No segundo turno, a abstenção caiu para 20,59%, com 32.200.558 ausentes. A diferença foi de apenas 0,36 ponto percentual, cerca de 570 mil eleitores a mais nas urnas.Os dados revelam um desafio para a estratégia da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de virar a disputa convencendo os eleitores que não compareceram nas urnas. Mesmo em 2022 quando houve redução da abstenção no segundo turno, o número de pessoas que foi votar não era capaz de mudar o resultado do pleito.Confira as taxas de abstenção dos anos anteriores2022Primeiro turno — 20,95% – 32.770.982 eleitores.Segundo turno — 20,59% – 32.200.558 eleitores.2018Primeiro turno — 20,33% – 29.941.265 eleitores.Segundo turno — 21,30% – 31.371.704 eleitores2014Primeiro turno — 19,39% – 27.698.475 eleitores.Segundo turno — 21,10% – 30.138.167 eleitores.2010Primeiro turno — 18,12% – 24.610.296 eleitores.Segundo turno — 21,5% – 29.196.864 eleitores.TSEO presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, comentou ainda no domingo (4/10) sobre a abstenção deste ano. O magistrado afirmou que o dado está “dentro do esperado”, ainda que não seja o “ideal”.“A abstenção para quem não é obrigado a comparecer tem um indicativo muito elevado. Com os idosos, chega a 50%. E entre 16 e 17 anos, 20%. Nós temos dados matemáticos ainda não trabalhados. E há a necessidade de nos debruçarmos sobre o que ocorreu. Mas está dentro do esperado”, disse. Leia também BrasilIndefinições: futuro de Garotinho, Dallagnol e Dr. Furlan depende do TSE BrasilSistema do TSE fica travado por mais de 1 hora devido a volume de dados Manoela AlcântaraUrnas auditadas na sede do TSE encerram teste sem divergências nos votos BrasilTSE: primeira hora de votação tem 1 milhão de justificativas de ausência 4 imagensFechar modal.1 de 4Abstenção bateu recorde no primeiro turnoKEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo2 de 4Presidente do TSE disse que o resultado está dentro do esperadoKEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo3 de 4Mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno de 2026Hugo Barreto/Metrópoles4 de 4Abstenção desse domingo é a maior desde 1998Gustavo Moreno/MetrópolesResultado do primeiro turnoDe acordo com o TSE, 125,3 milhões de eleitores compareceram, neste domingo, às seções eleitorais para votar nas Eleições Gerais de 2026. Esse número equivale a 78,92% do eleitorado apto.Brancos e nulos corresponderam a 4,77% da votação presidencial, quase 6 milhões de votos.Do total de votantes, 3,7 milhões anularam seu voto para presidente, o que corresponde a 2,93% dos votos totais, enquanto 2,3 milhões votaram em branco, representando 1,84%.














