Principais candidatos ao Senado por São Paulo foram entrevistados pelo Terra na reta final da corrida eleitoral

Foto: Terra/Ana Paula Almeida
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Imagem da matéria: O que pensam os candidatos ao Senado por SP? Confira seus posicionamentos sobre STF, prioridades de campanha e mais
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- Isabella Lima

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- Beatriz Araujo

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30 set 2026 - 04h57

O que pensam os candidatos ao Senado por SP? Confira seus posicionamentos sobre STF, prioridades de campanha e mais
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O que pensam os candidatos ao Senado por São Paulo? O Terra convidou para participarem de entrevistas os principais candidatos ao cargo, conforme o resultado das pesquisas eleitorais dos últimos meses, e eles falaram sobre posicionamentos políticos, prioridades de campanha e opiniões em torno de assuntos considerados polêmicos no Congresso Nacional. Confira o que dizem Simone Tebet (PSB), Geraldo Rufino (Podemos), Marina Silva (Rede) e Soninha Francine (Cidadania). André do Prado (PP) e Guilherme Derrite (PP) não responderam ao convite. Ricardo Salles (Novo) concedeu a entrevista, mas desistiu da candidatura.

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As entrevistas, individuais, foram realizadas entre os dias 11 e 17 de setembro, com publicações feitas até esta terça-feira, 22. Durante 40 minutos, os candidatos foram questionados sobre assuntos em torno da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre suas próprias trajetórias, e deram suas opiniões a respeito de debates que marcam presença no Congresso Nacional como aborto, castração química, combate ao feminicídio, redução da maioridade penal, dívida pública e mais.

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Nas eleições gerais no próximo dia 4 de outubro serão eleitos dois senadores por estado e pelo Distrito Federal. Isso porque, neste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado estão em disputa. Cada senador tem um mandato de oito anos e é eleito com dois suplentes na chapa.

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Crise no STF e impeachment de ministros

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- Simone Tebet (PSB): Considera ser difícil que o assunto seja pautado às vésperas da eleição, mas ressalta não ver problema caso a questão de impeachment de ministros do Supremo seja levada ao Congresso e considera se tratarem de "denúncias seríssimas". Ela defende que haja uma reforma no Judiciário.

- Geraldo Rufino (Podemos): Entende que pautar o impeachment é algo “que já deveria ter acontecido, até por respeito aos senadores” e vê o movimento como uma forma de retomar o equilíbrio. Se eleito senador, em uma eventual situação do tipo, ele diz que votaria a favor.

- Marina Silva (Rede): Defende a necessidade de acelerar o processo de reforma no Judiciário e da consolidação de um código de ética para orientar o comportamento de ministros. Ela afirma que, se alguém cometeu um crime de responsabilidade, o impeachment deve ser discutido -- mas também defende que mecanismos de autocorreção previstos na lei ou na Constituição sejam aplicados "sem dois pesos e duas medidas”.

- Soninha Francine (Cidadania): Afirma que o impeachment de ministros não seria a melhor solução, mas pode se tornar um caminho necessário caso a própria Corte não tome medidas diante de suspeitas que considera graves. Para ela, o STF deveria abrir uma investigação sobre ministros diante de indícios que considera suficientes. Para a candidata, a discussão não deveria causar pavor.

Estupro e castração química

- Simone Tebet (PSB): Afirma ser favorável à discussão sobre a castração química para homens que voluntariamente queiram se submeter ao tratamento e considera que a medida pode ser considerada em casos de pessoas que reconheçam ter uma patologia e busquem tratamento. "Eu estou aberta a discutir esse assunto, esse assunto não é um tabu para mim".

- Geraldo Rufino (Podemos): Considera a discussão em torno da castração química para homens que cometem estupros como algo positivo. Para ele, no geral, é preciso endurecer as leis com relação à punição de agressores. "O cara que faz um negócio desse, além de ser violento e um criminoso, também é doente. Então você corta o mal pela raiz.”

- Marina Silva (Rede): É contra a adoção da castração química como forma de punição para pessoas condenadas por estupro. Para ela, o combate a esse tipo de crime deve passar por investigação rigorosa e pela aplicação de penas severas aos responsáveis. "No Brasil, você pode ter pena máxima, que é quase que prisão perpétua. Aqueles que cometem esse crime [violência sexual] devem receber a pena máxima".

- Soninha Francine (Cidadania): Argumenta que já mudou de opinião algumas vezes e que atualmente não fecha a porta para a discussão. Em vez de defender ou rejeitar imediatamente a medida, ela considera necessário avaliar os resultados obtidos em países que adotaram intervenções medicamentosas semelhantes.

Direito ao aborto

- Simone Tebet (PSB): Defende a manutenção da legislação atual, com a garantia do procedimento nos casos já previstos na lei, e acredita que o tema não seja discutido tão cedo no Congresso, diante do perfil conservador do Legislativo. "O Estado é laico, nós não podemos colocar a religião dentro, mas a gente não consegue separar o ser Simone do ser católico".

- Geraldo Rufino (Podemos): Defende a manutenção da legislação atual e alega que “ninguém deve ter o direito de tirar a vida de quem teve um filho de uma forma convencional”, se mantendo contrário a eventuais flexibilizações com relação à descriminalização do ato. "Preserve a vida. Agora, não dá para obrigar uma pessoa que foi estuprada a ter o filho. Essa liberdade, ela precisa ter, mas para isso já tem a lei, né?”

- Marina Silva (Rede): É favorável à manutenção do que já foi estabelecido por decisões da Suprema Corte. Ela se posiciona pessoalmente contrária ao aborto, mas defende que mulheres que passam por essa situação não sejam criminalizadas ou estigmatizadas.

- Soninha Francine (Cidadania): Defende a descriminalização do aborto, com regras e atendimento adequado às mulheres. Para ela, a proibição não impede que o procedimento seja realizado e pode aumentar os riscos para as mulheres. Defende que a interrupção aconteça em ambiente seguro, com condições de higiene e acompanhamento psicológico.

Combate ao feminicídio

- Simone Tebet (PSB): Aponta como caminho “acabar com o discurso de ódio da extrema-direita” e fazer com que os homens dialoguem entre homens contra a violência. Defende que recursos sejam utilizados para manter as delegacias das mulheres 24 horas por dia abertas, que policiais mulheres atuem nessa frente, e que suspeitos já saiam de ocorrências com tornozeleira eletrônica.

- Geraldo Rufino (Podemos): Entende que primeiramente é preciso fazer com que as leis “cheguem na ponta” -- como, por exemplo, o funcionamento de delegacias com atendimento 24 horas voltados ao acolhimento de mulheres. Para ele, o que falta é potencializar as garantias de oportunidade de trabalho e renda a mulheres vítimas de violência, pensando em liberdade financeira.

- Marina Silva (Rede): Entende que o caminho é o que já está sendo trabalhado para que aconteça: ela cita o funcionamento 24 horas de delegacias com profissionais capacitados para receber mulheres vítimas de violência e a importância de fortalecer a rede de proteção. A candidata ainda reforça a importância de acesso à creche, trabalho, estudo, crédito e tempo para que essas mulheres tenham autonomia.

- Soninha Francine (Cidadania): Entende que o enfrentamento da violência contra a mulher precisa começar antes de a agressão atingir seu estágio mais grave. Ela defende campanhas de comunicação para alertar sobre os primeiros sinais, como humilhações, ofensas, controle do celular e agressões físicas iniciais. Ela quer a ampliação dos centros de referência da mulher, com assistentes sociais, psicólogos e advogados, e o repasse de recursos federais para o custeio desses espaços.

Redução da maioridade penal

- Simone Tebet (PSB): Diz ser a favor da redução para casos de “crimes gravíssimos”, como o de estupro, estupro coletivo e latrocínio: “Um jovem de 16 anos sabe o que é certo e o que é errado.” Sobre pautar a questão, ela afirma que “todos temas são livres, desde que não sejam antidemocráticos” e entende que esse tema, sim, precisa ser trabalhado.

- Geraldo Rufino (Podemos): Se declara a favor da redução, mas muda o foco da questão para a necessidade daquilo que chama de uma “redução da maioridade profissional”. "A melhor maneira de você firmar a maioridade penal é se, antes, você der a oportunidade para o jovem, para ele nem ter essa opção [do crime] de escolha", afirma.

- Marina Silva (Rede): Diz que não é de agora que vê a pauta da segurança pública como uma prioridade a ser discutida, e que a questão de violência cometida por crianças ou adolescentes transpassam a questão da segurança -- mas reforça que já há uma estrutura específica para esses casos. Ela se posiciona contra a redução da maioridade penal.

- Soninha Francine (Cidadania): Para ela, o tema deve ser tratado como prioridade no Senado e não ser encarado apenas como uma pauta da direita, que trabalhadores e eleitores de esquerda também defendem mudanças diante de crimes graves cometidos por adolescentes. “Eu tenho opinião firme de que, com 16 e 17 anos, um jovem não sabe menos coisa do que com 18 em relação ao que não se pode fazer em relação a outra pessoa".

Questão ambiental

- Simone Tebet (PSB): Se afirma como alguém do agronegócio e entende como necessário mirar o desenvolvimento sustentável, o “agro sustentável”. Em paralelo, a candidata diz que a guerra não é entre ambientalistas e produtores --mas, sim, o agro e o meio ambiente contra grileiros, mineradores de terras e de invasões de áreas consideradas da União que protegem biomas brasileiros, especialmente da Amazônia Legal.

- Geraldo Rufino (Podemos): Diz que irá buscar pela formalização do trabalho de profissionais que atuam com reciclagem e defende que essa questão refletirá diretamente no impacto ambiental do estado de São Paulo. Questionado sobre outros pontos que São Paulo enfrenta, como crise hídrica, queimadas e enchentes, Rufino diz que, na realidade, o que é preciso é “fazer valer a lei”.

- Marina Silva (Rede): Pretende tocar em São Paulo uma agenda ambiental voltada à adaptação às mudanças climáticas e ao desenvolvimento sustentável. Entre as prioridades, defende investimentos em adaptação, drenagem, contenção de encostas e remoção de populações de áreas de risco, assim como propõe um programa de recuperação de matas ciliares para recuperar córregos, nascentes e mananciais e melhorar a segurança hídrica.

- Soninha Francine (Cidadania): Vê a necessidade de mudanças tanto na legislação quanto na estrutura dos órgãos responsáveis pela fiscalização. A candidata reconhece que processos de licenciamento podem ser demorados, mas critica a possibilidade de ampliar mecanismos de autodeclaração para atividades de impacto ambiental significativo.

Inteligência artificial

- Simone Tebet (PSB): É a favor de um marco legal da inteligência artificial no Brasil. “Não tem como não acontecer. O mercado vai cobrar. Ele precisa de segurança jurídica. Então, todo mundo vai pedir. De um lado ou de outro. Eu acho que não tem como fugir dessa pauta.”

- Geraldo Rufino (Podemos): É a favor de que haja uma regulamentação específica para a Inteligência Artificial. Além disso, ele entende que o assunto deve ser tratado com prioridade no Senado para conter abusos. "É impressionante a maldade que vem junto com a tecnologia [...] A tecnologia caminha a uma velocidade da luz. Se nós deixarmos isso em segundo plano, ela vai nos atropelar.”

- Marina Silva (Rede): Defende a regulamentação da inteligência artificial e avalia que o tema exige atenção diante dos impactos que a tecnologia pode ter sobre o desenvolvimento humano. Para ela, embora a IA traga benefícios, também pode gerar prejuízos em diferentes áreas, inclusive nos processos de ensino e aprendizagem.

- Soninha Francine (Cidadania): Quer a regulamentação da inteligência artificial e afirma que o poder público precisa acompanhar os riscos associados ao uso da tecnologia. Entre as preocupações citadas estão fraudes, produção de conteúdos falsos e o uso de ferramentas de inteligência artificial em trabalhos acadêmicos.

Dívida pública

- Simone Tebet (PSB): Pretende contribuir para o equilíbrio fiscal por meio do corte de desperdícios, privilégios e corrupção, além de medidas para aumentar a arrecadação. Acredita ser possível gerar superávit sem reduzir a proteção das políticas públicas, com combate à sonegação e a revisão de gastos tributários, além da redução de despesas, como supersalários e emendas parlamentares.

- Geraldo Rufino (Podemos): Aponta que “empresas estão deixando o país em centenas” e que isso está afetando os empregos e a economia como um todo. "Cada empresa que vai é milhares de empregos diretos e milhares de empregos indiretos que saem".

- Marina Silva (Rede): Reconhece que a necessidade do equilíbrio fiscal, mas defende que a busca por controle das contas públicas não ocorra em detrimento de políticas sociais, como investimentos em saúde e educação. Entende que investimentos em indústria, agricultura e desenvolvimento econômico podem ampliar a arrecadação e contribuir para o equilíbrio das contas.

- Soninha Francine (Cidadania): Defende rigor na aprovação de projetos que aumentem gastos públicos. Para ela, também é necessário combater desperdícios e avaliar a eficiência de estruturas e programas do governo. Ela também critica despesas que considera desnecessárias e cita a quantidade de ministérios, Correios e empresas públicas deficitárias como estruturas que deveriam ser avaliadas.

Confira as entrevistas na íntegra

Simone Tebet (PSB)

Entrevista gravada em 11 de setembro.

Geraldo Rufino (Podemos)

Entrevista gravada em 14 de setembro.

Marina Silva (Rede)

Entrevista gravada em 16 de setembro.

Soninha Francine (Cidadania)

Entrevista gravada em 17 de setembro.