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NASHVILLE — Christa Pike tinha 18 anos quando matou uma colega de classe em um ataque de ciúmes e se tornou uma das mulheres mais jovens a ser condenada à morte. Agora com 50 anos, sua execução está marcada para esta quarta-feira, 30, naquela que pode se tornar a primeira execução de uma mulher no Tennessee em 200 anos.

Pike e seu namorado foram condenados pelo assassinato, em 1995, de Colleen Slemmer, de 19 anos, colega de classe deles no Knoxville Job Corps. Os promotores disseram que Pike temia que Slemmer fosse uma rival amorosa e a atraiu para uma área isolada, onde ela e o namorado a torturaram e mataram. O caso ganhou grande repercussão em razão da brutalidade do crime, da idade das pessoas envolvidas e pelo fato de um símbolo satânico ter sido gravado no corpo da vítima.

Na foto, Christa Pike. Foto: Tennessee Department of Correction/Via AP

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Pike não nega sua culpa, mas seus advogados e apoiadores argumentam que a pena de morte não é apropriada para um crime cometido nessa idade por uma adolescente com doença mental não tratada, após uma infância de abuso sexual brutal e negligência. A mãe de Slemmer quer que a injeção letal seja aplicada, dizendo que esperou décadas para ver a sentença de Pike ser cumprida.

O governador do Tennessee, Bill Lee, anunciou na segunda-feira, 28, que não concederia clemência. Os advogados de Pike pediram à Suprema Corte que suspendesse a execução.

Pedido de clemência aponta para o passado traumático de Pike

Os advogados de Pike disseram que ela teve uma infância excepcionalmente traumática e abusiva.

O defensor público federal Stephen Ferrell afirmou que Pike sofreu abuso sexual desde a infância e que foi estuprada aos 11 e aos 17 anos. Ele disse que os advogados de Pike, na fase de determinação da pena durante o julgamento, não apresentaram ao júri informações cruciais sobre o passado dela, nem argumentaram que a idade dela deveria ser levada em consideração.

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Pike foi posteriormente diagnosticada com transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático. Ela disse à polícia que inicialmente só queria brigar com Slemmer, mas acabou matando-a em um ataque frenético. Em seu pedido de clemência, os advogados de Pike alegaram que sua doença mental não tratada e seu histórico a tornaram incapaz de “parar”.
“Eu era uma jovem de 18 anos com problemas mentais. Levei muitos anos para sequer perceber a gravidade do que havia feito. E ainda mais para aceitar quantas vidas eu afetei. Tirei a vida do filho, da irmã, do amigo de alguém. Me dá nojo só de pensar que eu era capaz de cometer um crime desses”, disse Pike em uma declaração incluída em seu pedido de clemência.
Ferrell afirmou que hoje se sabe mais sobre o desenvolvimento do cérebro adolescente e que a sentença de morte de Pike é uma exceção. Ele observou que o namorado de Pike, Tadaryl Shipp, que tinha 17 anos na época, foi condenado à prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional em razão da sua idade. A liberdade condicional foi negada a ele no ano passado. Um terceiro adolescente admitiu ser cúmplice e recebeu liberdade condicional.
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Na era moderna da pena de morte, disse Ferrell, outros jovens de 18 anos que foram condenados à morte no Tennessee tiveram suas penas reduzidas posteriormente.
O Centro de Informações sobre a Pena de Morte afirmou que 275 pessoas em todo o país foram executadas por crimes cometidos aos 18, 19 ou 20 anos na era moderna da pena de morte, mas que as sentenças de morte para pessoas nessa faixa etária têm se tornado cada vez mais raras.
“Se Christa Pike fosse julgada hoje, não acredito que um júri que soubesse dos abusos sexuais e da negligência que ela sofreu na infância a condenaria à morte”, disse Robin M. Maher, diretora executiva do Centro de Informações sobre a Pena de Morte.
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A mãe da vítima quer que a execução prossiga
Falando por telefone da Flórida, a mãe de Slemmer, May Martinez, também mencionou a idade da filha e disse que Slemmer nunca teve a chance de crescer.
“Toda vez que penso nisso, lembro da Colleen sentindo aquela dor e tentando se levantar e correr”, disse Martinez.
May disse que sua filha era voluntária nas Olimpíadas Especiais, adorava patinar e queria seguir carreira na área de informática.
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“Ela era tranquila. Para começar, ela era uma apaixonada por computadores. Ela e meu marido viviam montando e desmontando computadores”, disse ela. “Ela confiava em todo mundo, e essa foi a sua ruína.”
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Ela disse que sua filha ligou do Job Corps na noite do assassinato, mas a ligação caiu devido ao mau sinal. Quando Martinez retornou a ligação, sua filha já havia saído.
“Não passa um dia, nem um minuto, sem que eu pense na Colleen. Os feriados são os piores. O aniversário da Colleen foi semana passada. Ela teria feito 51 anos”, disse May.
O assassinato chocou a cidade de Knoxville. Os promotores disseram que Pike cortou Slemmer com um estilete e a espancou com um grande pedaço de asfalto. Elementos do crime alimentaram o medo do culto a Satanás durante o “pânico satânico” das décadas de 1980 e 1990. Shipp, namorado de Pike, admitiu ter sido ele quem esculpiu um pentagrama, um símbolo em forma de estrela associado ao satanismo, no corpo dela.
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Execuções de mulheres presas são raras no Tennessee e em todo o país
Se a execução de Pike prosseguir conforme o planejado, será a primeira execução de uma mulher no Tennessee desde 1820, disse Maher.
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As execuções de mulheres presas também são raras nos EUA. Desde 1976, 18 mulheres foram executadas no país, representando cerca de 1% de todas as execuções, segundo o centro.
Mais recentemente, em 2023, o Missouri executou Amber McLaughlin, uma mulher transgênero, por um homicídio ocorrido em 2003, naquela que se acredita ser a primeira execução de uma mulher transgênero nos EUA. Em 2021, o governo federal executou Lisa Montgomery, marcando a primeira vez em quase sete décadas que o governo dos EUA condenou uma mulher à morte. A Geórgia executou uma mulher em 2015. /AP
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