Os suecos vão às urnas neste domingo (13) para renovar o Parlamento em uma eleição legislativa considerada uma das mais disputadas dos últimos anos. O pleito opõe principalmente a coalizão de direita do atual primeiro-ministro, Ulf Kristersson, à aliança de centro-esquerda liderada pela social-democrata Magdalena Andersson, que tenta voltar ao comando do governo.

13 set 2026 - 07h25

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- Por: RFI

Resumo

Em uma eleição acirrada na Suécia, eleitores vão às urnas em meio a debates sobre o futuro do Estado de bem-estar social, com foco na crise da saúde e da educação. Embora a oposição de centro-esquerda lidere as pesquisas, divergências econômicas internas ameaçam a formação de uma maioria viável. Já a atual coalizão governista de direita prevê integrar formalmente ministros da extrema direita caso vença. O resultado exigirá negociações complexas de ambos os lados para a criação de um novo governo.

As 6.264 seções eleitorais abriram às 8h da manhã, horário local. Além da escolha dos deputados, os eleitores também votam para as assembleias regionais e os conselhos municipais. Em Estocolmo, filas se formaram diante dos locais de votação, embora mais de 3,5 milhões de pessoas já tenham votado antecipadamente, um número superior ao registrado nas eleições de 2022.
Eleitores fazem fila do lado de fora de uma seção de votação antecipada na sexta-feira, 11 de setembro, em Estocolmo, Suécia.
Foto: REUTERS - Denis Balibouse / RFI
As pesquisas de opinião apontam vantagem para a oposição de centro-esquerda. No entanto, uma eventual vitória não garante automaticamente a formação de um governo. Segundo Marius Perrin, pesquisador do Centro de Estudos Europeus da Sciences Po Paris, o principal desafio será unir forças políticas com visões econômicas bastante divergentes.
"Costuma-se esquecer que não existe uma maioria de esquerda na Suécia desde as eleições de 2002. Os social-democratas governaram entre 2014 e 2022, mas sempre em situação minoritária. Se a oposição vencer, a questão será saber se conseguirá formar uma maioria parlamentar", explica Perrin.
A aliança oposicionista reúne quatro partidos. Três deles pertencem ao campo da esquerda, mas também inclui o Partido do Centro, progressista em temas sociais, porém liberal e mais próximo da direita em questões econômicas. Essa composição heterogênea pode dificultar a construção de uma coalizão estável.
Participação da extrema direita
Do lado governista, Kristersson já anunciou que, se permanecer no poder, pretende nomear ministros dos Democratas da Suécia, partido de extrema direita que apoia sua coalizão desde 2022. A legenda teve forte influência nas políticas de imigração e segurança implementadas nos últimos anos.
Segundo analistas, a entrada formal dos Democratas da Suécia no governo representaria uma mudança histórica no cenário político sueco. Desde sua chegada ao Parlamento, em 2010, o partido foi amplamente isolado pelas demais forças políticas. A legenda também voltou a adotar um discurso mais radical durante a campanha eleitoral, especialmente sobre imigração.
Estado de bem-estar social em jogo
Apesar da forte presença das questões identitárias e de segurança na campanha, pesquisas indicam que as principais preocupações dos eleitores são a saúde e a educação. O aumento das dificuldades enfrentadas pelos hospitais e escolas recolocou no centro do debate o futuro do Estado de bem-estar social sueco.
No sistema de saúde, profissionais denunciam falta de recursos e escassez de mão de obra. Segundo a Associação Sueca dos Profissionais da Saúde, mais de um terço dos trabalhadores do setor atua em regime de meio período para conseguir suportar as condições de trabalho.
Na educação, as críticas se concentram nas salas de aula superlotadas e no modelo de escolas independentes financiadas com recursos públicos, mas muitas vezes administradas por empresas privadas. Em um país que abriu amplamente seus serviços ao mercado desde os anos 1990, cresce a demanda para que o Estado reassuma um papel mais forte na garantia dos serviços públicos essenciais.
Os resultados devem começar a ser conhecidos após o fechamento das urnas, no início da noite deste domingo. Tudo indica que a composição do próximo governo dependerá de negociações complexas entre os partidos, independentemente de qual bloco obtenha a maior votação.
Com RFI
A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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