O ano de 2026 foi marcado por uma série de JRPGs antigos, principalmente do Sega Saturn e PlayStation 1, que nunca foram traduzidos oficialmente, mas que finalmente receberam traduções de fãs para o inglês. Entretanto, muitos desses trabalhos foram realizados através de Inteligência Artificial, o que gerou diversas polêmicas.

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Cyber Doll

Imagem: Reprodução / I’MAX

Cyber Doll, lançado em 1996 apenas no Japão, é um RPG com temática cyberpunk, o que era um tanto incomum na época. O mesmo pode ser dito sobre suas mecânicas de combate, totalmente lateral – com uma estética que lembra até jogos de luta – focadas em distância e com ataques em cada parte do corpo.

Sua tradução foi anunciada por TrevoStuden, usuário do fórum SegaXtreme, em novembro de 2025. Entretanto, em janeiro deste ano, ele confirmou que o projeto era realizado com o auxílio de IA, tanto na tradução quanto nos scripts para inserir os textos no jogo. A notícia causou uma certa polêmica, mas o projeto não foi cancelado por causa disso – pelo menos de acordo com TrevoStuden – e sim por haver um outro projeto muito mais avançado, cujo lançamento é previsto ainda para este ano.

Segagaga

Imagem: Reprodução / SEGA

Segagaga foi originalmente lançado em 2001 para o Dreamcast. O jogo é descrito como um “Simulador da SEGA”, no qual o jogador assume o papel de um personagem cuja missão é salvar a SEGA da sua rival DOGMA, que deteria a hegemonia no mercado de consoles.

Esse game peculiar teve uma tradução em março deste ano, mas seu criador, Hilltop, assumiu o uso de IA apenas após seu lançamento. A situação não foi muito bem recebida, com questionamentos principalmente sobre sua qualidade, enquanto o criador minimizou a situação. Hilltop continua lançando traduções para outros jogos, principalmente do PlayStation 1, como Racing Lagoon e Megaman Legends 2 Episode 1 Roll’s Close Call.

Langrisser V

Imagem: Reprodução / Masaya

Langrisser é uma série de jogos de RPG e estratégia, focada na luta de exércitos e de heróis, com seu quinto título lançado para Sega Saturn e PlayStation 1. A sua versão do console da Sony recebeu uma tradução em junho, mas feita 100% por IA, e sem nenhuma revisão humana. A reação da comunidade foi tão negativa que, no mesmo mês, o site Romhack.ing removeu a tradução do seu site.

Tricolore Crise

Imagem: Reprodução / Victor Interactive Software

Tricolore Crise é um RPG diferente lançado em 2000 pela Victor Interactive Software. A empresa é, de certa forma, conhecida pelos seus jogos inusitados e de nicho, com títulos como Magical Pop’n, Keio Flying Squadron e Harvest Moon. O jogo também traz seus aspectos peculiares, como uma variação do ATB (Active Time Battle) – muito popular nos RPG da Square da década de 90 – e pontos de magia baseados em “Mae”, com 7 cores diferentes no lugar de Mana ou similares.

A sua tradução foi lançada em julho, também com o uso de Inteligência Artificial. Mas, diferente de outros jogos, esse já tinha um projeto de tradução tradicional e o ocorrido fez com que seu criador, Yuvi, criticasse o projeto lançado, principalmente por erros de tradução, enquanto seu próprio projeto ainda segue em desenvolvimento.

Shadowrun

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Imagem: Reprodução / Compile

Shadowrun é um RPG de mesa de cyberpunk e fantasia que ganhou três adaptações na década de 90, mas cuja versão do Sega CD foi lançada apenas no Japão. É a versão mais diferenciada de Shadowrun, tanto por se passar no Japão (em vez do padrão, em Seattle) quanto por ser um RPG por turnos, mas cujos projetos anteriores de tradução foram abandonados.

A sua tradução finalmente foi lançada em setembro, mas o uso de Inteligência Artificial causou diferentes reações na comunidade. Do conformismo às críticas pela falta de apreço e dedicação, no fim, a visão foi mais pragmática, já que uma tradução oficial estava bem longe da realidade.

Snatcher

Imagem: Reprodução / KONAMI

Um clássico jogo de RPG e point-and-click, conhecido como o primeiro grande projeto de Hideo Kojima, Snatcher foi lançado para diversos consoles de 1988 a 1996. Apesar de sua popularidade, sua versão de Sega Saturn não teve uma tradução oficial, nem mesmo feita por fãs, até este ano.

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Essa tradução foi lançada em outubro, mas com um diferencial das outras. Ela usa o roteiro do PlayStation 1, enquanto permite que os fãs apreciem as artes – inclusive com algumas bem diferenciadas – originais do Sega Saturn. Mesmo com essa diferença, questionamentos ainda surgiram sobre sua qualidade, o que foi amenizado com a garantia de revisão humana.

Por que a polêmica?

Existem alguns motivos que causam esse tipo de polêmica. O primeiro deles está na qualidade do produto final. Mesmo com o avanço das IAs na escrita e tradução de textos, ainda há muitas nuances que escapam do entendimento e compreensão das máquinas. Escolhas devem ser feitas, para criar uma tradução que se adapte à realidade e à cultura da língua, e as IAs não costumam fazer boas escolhas nesse aspecto.

Além da qualidade, há o fator humano. As pessoas fazem esse tipo de projeto por amor ao jogo, se dedicam para produzir o melhor e o mais fidedigno possível. Em contrapartida, é difícil competir com as IAs, isso porque um projeto tradicional pode levar anos, enquanto um projeto com IA pode levar apenas meses, ou mesmo semanas. É algo que desencoraja quem faz todo esse trabalho, e substitui um projeto repleto de dedicação por uma alternativa de baixa qualidade, com diversos erros, mas muito mais rápida e em maior volume.

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Um ponto a se considerar

Inteligência Artificial não é a pedra filosofal da tecnologia, nem uma panaceia, tampouco a solução para todos os problemas. Apesar dessa visão exagerada, isso não significa que as IAs não sejam muito úteis. Essa tecnologia é especialmente útil para poupar trabalho, e consegue entregar coisas que demandam muito tempo e esforço em um tempo extremamente curto. Em contrapartida, a revisão humana é um trabalho essencial no uso de IA, pois ela nada mais é do que uma ferramenta.

O problema não são necessariamente as traduções por IA, mas sim o trabalho sem revisão humana. Sem esse processo, não há garantia nenhuma da qualidade final, enquanto erros grosseiros passam completamente despercebidos. Por outro lado, o trabalho com IA combinado com o trabalho humano pode agilizar muito o processo, o que faz com que um trabalho que leve meses possa ser realizado em semanas.

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Além desses aspectos, há também o pragmatismo. Muitos desses jogos estavam bem longe de serem traduzidos, Shadowrun mesmo estava há 30 anos sem uma tradução, enquanto jogos como Devil Summoner (popular entre os fãs de Megaten) até hoje não têm uma tradução. São jogos que, mesmo com uma base sólida de fãs, não têm apelo suficiente para serem traduzidos, nem de forma não oficial. Por isso, no fim, acaba sendo melhor ter uma tradução problemática, que pode estimular um trabalho posterior de aprimoramento, do que não ter nada.
Leonardo Bueno
Leonardo Bueno é entusiasta de arte, literatura, games e RPG. Trabalha com tecnologia e games há mais de 10 anos.
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Rachele Victoria
Rachele Victoria é formada em Letras, MBA em Inovação e atua há 10 anos com comunicação e conteúdo gamer.
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Tags: inteligencia artificial jogos antigos JRPG noticias gamer

