Um clinostato é um dispositivo que usa a rotação para neutralizar os efeitos da força gravitacional no crescimento (gravitropismo) e desenvolvimento (gravimorfismo) das plantas. Apresenta igualmente um uso crescente no estudo dos efeitos da microgravidade em culturas de células e de microrganismos, embriões animais e teias de aranha.

Descrição Um clinostato de eixo único (ou horizontal) consiste num disco acoplado a um motor. Originalmente, eram movidos recorrendo a maquinaria de relojoaria, mas atualmente utilizam-se um motores elétricos. O disco é mantido na vertical e o motor gira-o lentamente, a uma velocidade da ordem de uma revolução por minuto. Para o estudo de plantas, estas são fixadas ao disco de forma a que fiquem na horizontal. A rotação lenta faz com que a planta sinta uma força gravitacional que é distribuída por 360 graus, aproximando-se, assim, de um ambiente sem gravidade. Os clinostatos também têm sido usados para anular os efeitos da luz solar e de outros estímulos, para além da gravidade. Os clinostatos devem estar perfeitamente na horizontal para simular a ausência de gravidade. Se estiverem ligeiramente inclinados, a amostra irá percecionar um vetor gravitacional resultante, cuja magnitude depende do ângulo. Esta inclinação pode ser usado para simular a gravidade lunar (aproximadamente 1/6 g), o que requer um ângulo em relação à horizontal de cerca de 10 graus, ou seja, sen−1 (1/6). Uma planta só reage à gravidade se a gravistação for mantida por um período superior a um determinado tempo crítico, denominado tempo mínimo de apresentação (TMP). Para muitos órgãos vegetais, o TMP situa-se entre 10 e 200 segundos e, portanto, um clinostato deve rodar numa escala de tempo comparável para evitar uma resposta gravitrópica. O tempo de apresentação é, no entanto, cumulativo. Se a rotação de um clinostato for repetidamente interrompida numa única posição, mesmo por períodos tão curtos como 0,5 segundos, pode ocorrer uma resposta gravitrópica. O tempo de apresentação para animais é uma ou duas ordens de grandeza mais rápido do que o das plantas, o que impede a utilização do clinostato de rotação lenta na maioria dos estudos com animais. Contudo, o clinostato de rotação rápida pode ser, e é, utilizado para o estudo de culturas de células animais e embriões.

História O clinostato foi inventado em 1879 por Julius von Sachs, que construiu um aparelho movido a mecanismos de relojoaria. Um conceito semelhante tinha já sido constituido em 1703, por Denis Dodart.O primeiro clinostato com motor elétrico foi construído por Newcombe, em 1897.

Referências