O próximo console do Xbox, conhecido pelo codinome Project Helix, pode custar entre US$ 1.200 e US$ 1.800 ao consumidor, a menos que a Microsoft decida subsidiar parte do preço. A informação é de uma longa reportagem da revista Fortune sobre Asha Sharma, CEO do Xbox, publicada nesta terça-feira (20). Segundo o texto, essa é a faixa de preço projetada internamente pela empresa. A Fortune não diz de onde veio o número, e a Microsoft não comentou oficialmente.

A reportagem, assinada pelo correspondente de tecnologia Sebastian Herrera, também traz o cronograma do Project Helix. Sharma planeja lançar um novo portátil de próxima geração até as festas de fim de ano de 2027 e o novo console até as festas de fim de ano de 2028. Segundo pessoas familiarizadas com o projeto, os prazos de engenharia do Helix foram antecipados em pelo menos alguns meses, o que aumentou a pressão sobre as equipes, inclusive para usar IA no desenvolvimento. Sharma afirmou que não vai usar "IA só por usar" e que vê a tecnologia como uma ferramenta para resolver problemas específicos de engenharia e desempenho.

A Fortune revela ainda uma disputa interna entre as equipes do Xbox e do Windows sobre o software do Project Helix. Segundo a revista, os líderes do Windows queriam que o futuro portátil usasse uma versão enxuta do Windows Home, enquanto a equipe de Sharma quer criar e controlar seu próprio software para obter o melhor desempenho em jogos. A tensão chegou a tal ponto que um executivo sênior do Xbox ameaçou cancelar o portátil para não adotar a versão do Windows, de acordo com pessoas informadas sobre o caso. Hoje o Xbox controla, em grande parte, a direção do sistema operacional, mas Sharma destaca que as equipes trabalham juntas. "Não conseguimos construir o Helix sozinhos", disse.

Sharma já tinha dito que o Helix será uma "família de dispositivos", com um console no centro e opções para quem quer jogar fora de casa. Em junho, diante da alta no preço de memória e armazenamento impulsionada pela demanda dos data centers de IA, ela disse que está buscando formas de baratear o console. A reportagem cita Piers Harding-Rolls, analista da Ampere Analysis, para quem o maior desafio das fabricantes hoje é o aumento do custo do hardware.

O texto, baseado em entrevistas feitas em setembro na sede da Microsoft, em Redmond, também traz outros planos de Sharma. Segundo pessoas familiarizadas com a estratégia, o Xbox prepara uma grande reformulação do Game Pass, em que os jogadores escolheriam recursos à la carte, como complementos para jogos só de console, jogos na nuvem e multiplayer, em uma estrutura por níveis. A empresa também planeja mais jogos exclusivos, como Gears of War: E-Day, lançado em 6 de outubro, e está concentrando recursos nos estúdios das maiores franquias.

Segundo a Fortune, Sharma já demitiu 1.868 pessoas dentro de um plano para reduzir o quadro em 3.200 funcionários ao longo de um ano, e novas rodadas de demissões estão previstas para outubro, novembro e janeiro, embora os planos possam mudar. A revista afirma que uma medida de margem de lucro da Microsoft para o Xbox está em torno de 3%, de um terço a um décimo do nível dos concorrentes, e que os consoles atuais do Xbox venderam pouco mais de um terço das unidades do PS5, segundo estimativas de terceiros.

A reportagem também aborda a especulação de que o Xbox estaria sendo preparado para uma venda ou cisão. Atuais e ex-funcionários disseram à revista saber de uma apresentação de alto nível, feita depois da chegada de Sharma, que explorava esses cenários. Judson Althoff, responsável pela área comercial da Microsoft, negou a intenção. "A Asha é uma das melhores líderes que temos em toda a empresa. Não a teríamos colocado em um negócio que pretendemos vender", disse. "Vai haver muita especulação sobre tudo isso. O tempo dirá." Perguntada se o Xbox ainda será uma divisão da Microsoft daqui a dois anos, Sharma respondeu: "Acho que vamos ser uma parte importante da Microsoft por muito tempo".




