A sexta temporada de Star Trek: The Next Generation, uma série de televisão de ficção científica estadunidense, se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da nave estelar USS Enterprise enquanto realiza diversas missões pela galáxia. Foi criada por Gene Roddenberry, o mesmo criador de Star Trek: The Original Series. A temporada contou com a aparição de diversos atores com papéis recorrentes na série, porém alguns tiveram seu número de participações limitado por conta de compromissos com outros projetos, como foi o caso de Michelle Forbes e Whoopi Goldberg. A participação convidada de maior destaque da temporada foi a de James Doohan, que interpretou seu personagem Montgomery Scott de The Original Series e dos filmes da franquia em "Relics". Esta temporada foi desenvolvida e produzida ao mesmo tempo que a primeira temporada de Star Trek: Deep Space Nine, o que fez com que a equipe de produção fosse reformulada, com alguns membros transferidos para trabalharem na nova série. Os produtores executivos Rick Berman e Michael Piller supervisionaram ambos os programas, mas dedicaram a maior parte de seus esforços para Deep Space Nine. Desta forma, os produtores Peter Lauritson, Merri D. Howard, Wendy Neuss e Jeri Taylor foram todos providos em The Next Generation. Taylor especificamente assumiu o comando da equipe de roteiristas, que também passou por mudanças, com René Echevarria e Naren Shankar sendo contratados e alguns membros de temporadas anteriores saindo. The Next Generation estreou sua sexta temporada em 21 de setembro de 1992 com "Time's Arrow, Part II". A audiência continuou a crescer e registrou os melhores números da série até então, inclusive superando a média da World Series de 1992. A audiência manteve-se consistentemente entre onze e treze por cento no índice Nielsen, com as exceções sendo "Aquiel", que teve a melhor audiência com 14,1 por cento, e outros três episódios que foram os únicos na temporada a registrar números abaixo de onze por cento. A recepção da crítica foi na maior parte positiva, que considerou esta temporada uma das melhores da série. Diferentes episódios foram indicados a quatro Prêmios Emmy do Primetime, vencendo dois. Todos os episódios foram remasterizados em 2014.
Episódios
Elenco
Produção
Equipe A sexta temporada de Star Trek: The Next Generation foi desenvolvida e produzida ao mesmo tempo que a primeira temporada da nova série Star Trek: Deep Space Nine, fazendo com que a equipe de produção passasse por divisões e reformulações. Os produtores Rick Berman e Michael Piller, também criadores de Deep Space Nine, dividiram seu tempo supervisionando as duas séries, porém se concentraram mais na série nova. Jeri Taylor foi promovida de produtora supervisora para coprodutora executiva de The Next Generation e assumiu de Berman as decisões de seleção de elenco e de Piller a liderança da equipe de roteiristas; Piller envolvia-se apenas depois das histórias terem sido detalhadas com o objetivo de aprová-las e comentá-las. Além disso, Peter Lauritson foi promovido a produtor, Merri D. Howard passou de gerente de produção de unidade para produtora de linha e Wendy Neuss foi promovida de produtora associada para coprodutora. David Livingston foi nomeado produtor supervisor de ambas as séries. O supervisor de efeitos visuais Robert Legato foi transferido exclusivamente para Deep Space Nine, enquanto Dan Curry permaneceu em The Next Generation e passou a alternar a criação dos efeitos visuais com Ronald B. Moore e David Stipes, este uma nova adição à equipe. O supervisor de maquiagem Michael Westmore, o figurinista Robert Blackman, o ilustrador e consultor técnico Rick Sternbach, o supervisor de arte cênica e consultor técnico Michael Okuda e os compositores Dennis McCarthy e Jay Chattaway alternaram entre as duas séries. O editor John Farrell foi promovido a editor supervisor, permitindo que Berman reduzisse seu tempo na ilha de edição de seis sessões por semana para apenas duas. Lolita Fatjo substituiu Eric A. Stillwell como coordenadora de roteiros, enquanto André Bormanis se tornou o novo consultor científico, substituindo Naren Shankar, que tinha sido promovido para a equipe de roteiristas. Bormanis conseguiu o trabalho depois de enviar nove páginas de notas para um roteiro de Deep Space Nine.
Roteiros
Frank Abatemarco foi contratado para assumir o antigo cargo de Taylor de produtor supervisor e trabalhar junto dela, porém ele deixou a série depois dos primeiros treze episódios; segundo o autor Larry Nemecek, isso ocorreu porque ele "não se encaixou no sistema Star Trek". O roteirista Joe Menosky foi convidado a trabalhar em Deep Space Nine, mas escolheu deixar a série e passar um período descansando na Europa para "recarregar as baterias"; dois de seus roteiros mesmo assim foram produzidos na sexta temporada, "The Chase" e "Suspicions". O consultor de roteiros executivo Peter Allan Fields foi para Deep Space Nine como coprodutor. O roteirista independente Robert Hewitt Wolfe escreveu o episódio "A Fistful of Datas", com seu trabalho sendo tão bem recebido que ele recebeu uma oferta para trabalhar em Deep Space Nine. O roteirista e coprodutor Ronald D. Moore assumiu boa parte das funções de Abatemarco depois da saída deste. Brannon Braga também foi convidado a ir para a outra série, mas escolheu permanecer em The Next Generation. René Echevarria, que já tinha escrito vários roteiros para a série antes como roteirista independente, foi finalmente convencido por Piller e Taylor a se mudar de Nova Iorque para Los Angeles e assumir um cargo em The Next Generation depois da saída de Fields. Shankar tinha coescrito o episódio "The First Duty" na quinta temporada e foi contratado na sexta temporada depois de "The Quality of Life". A equipe de roteiristas de The Next Generation na época da sexta temporada era bastante jovem, com o mais velho sendo Echevarria com trinta anos. Taylor descreveu sua abordagem com a equipe de roteiristas como "Eu tento proporcionar uma atmosfera acolhedora e deixá-los se sentirem seguros de que podem falar qualquer coisa, de que podemos brigar e que discordâncias são desejadas porque frequentemente você pode chegar a uma verdade maior quando você tem pessoas em conflito", também afirmando que servia de árbitra para as discussões mais acaloradas. Os roteiristas desejavam evitar enredos descritos como "telenovela" e se focarem, segundo Piller, em "ficção científica de alto conceito" ou "merdas malucas", com a equipe frequentemente se reunindo na casa de Taylor aos domingos para discutirem ideias. Piller, ao final da temporada, ficou satisfeito em afirmar que pela primeira vez uma temporada passou sem que um enredo fosse impulsionado por um problema tecnológico a bordo da USS Enterprise, isto ocorreu porque a equipe evitou usar uma fórmula de dois enredos para os episódios, em que um enredo envolvia um conflito pessoal e outro envolvia a "nave em perigo".
Seleção de elenco
Os atores Colm Meaney e Rosalind Chao, intérpretes do casal de personagens recorrentes Miles e Keiko O'Brien, passaram para o elenco de Deep Space Nine, mas antes fizeram aparições nesta temporada: Miles O'Brien em "Realm of Fear" e "Rascals" e Keiko apenas em "Rascals". Michelle Forbes fez apenas uma pequena aparição em "Rascals" como a alferes Ro Laren porque estava filmando um filme, enquanto Whoopi Goldberg também passou a maior parte das filmagens indisponível por outros compromissos, assim apareceu em apenas três episódios como sua personagem recorrente Guinan. Brian Bonsall fez duas aparições como Alexander Rozhenko, o filho do tenente Worf, em "Rascals" e "A Fistful of Datas", em parte por estar indisponível por outros compromissos e também pelos roteiristas quererem evitar enredos de "telenovela". Pela primeira vez a personagem Lwaxana Troi, mãe da conselheira Deanna Troi, não apareceu em um episódio, apesar de alguns terem sido propostos. Outros atores e seus personagens recorrentes que apareceram em um ou mais episódios da temporada incluíram Dwight Schultz como o tenente Reginald Barclay em "Realm of Fear" e "Ship in a Bottle", John de Lancie como Q em "True Q" e "Tapestry", Patti Yasutake como enfermeira Alyssa Ogawa em "Realm of Fear", "Man of the People" e "Suspicions", Robert O'Reilly como chanceler Gowron em "Rightful Heir", e Daniel Davis como professor Moriarty em "Ship in a Bottle". Davis tinha antes aparecido em "Elementary, Dear Data" da segunda temporada e os roteiristas sempre quiseram criar uma sequência para este episódio, porém desentendimentos com o espólio de Arthur Conan Doyle sobre os direitos do personagem adiaram esse retorno até a sexta temporada. O ator convidado de maior destaque da temporada foi James Doohan em "Relics" como Montgomery Scott, papel que tinha interpretado em Star Trek: The Original Series e nos filmes da franquia; Scott foi escolhido para uma aparição a partir de uma sugestão de Piller sobre trazer alguém de The Original Series e porque os roteiristas consideraram que ele tinha o melhor "quociente de diversão". Outros atores convidados incluíram Ronny Cox como o capitão Edward Jellico nas duas partes de "Chain of Command", David Warner como o cardassiano Madred em "Chain of Command, Part II", Reg E. Cathey como o klingon Morag em "Aquiel", James Cromwell como Shrek nas duas partes de "Birthright" e Alan Oppenheimer como o clérigo klingon Koroth em "Rightful Heir". Além deles, Alexander Siddig apareceu em "Birthright, Part I" como o doutor Julian Bashir, seu personagem de Deep Space Nine; Tim Russ apareceu como o ladrão Devor em "Starship Mine" e depois interpretaria o vulcano tenente Tuvok em Star Trek: Voyager; a astronauta Mae Jemison apareceu como a tenente Palmer em "Second Chances" e o físico Stephen Hawking apareceu como um holograma de si mesmo em "Descent".
Repercussão
Audiência Os números de audiência da sexta temporada de The Next Generation continuaram a crescer em relação a temporadas passadas. Sua média no índice Nielsen foi de 13,5 por cento, ou 12,5 milhões de telespectadores, um aumento de 22 por cento em relação à temporada anterior. A série beneficiou-se pelo fato de ser exibida duas vezes por semana em metade dos 248 mercados diferentes em que estava disponível nos Estados Unidos, bem como por um número maior de emissoras terem transferido sua exibição para o horário nobre. A série inclusive chegou a registrar números melhores que a média dos seis jogos da World Series de 1992 no demográfico de adultos entre dezoito e 49 anos. A temporada estreou em 21 de setembro de 1992 com "Time's Arrow, Part II", que registrou um índice Nielsen de 13,8 por cento. Os números da temporada permaneceram consistentemente entre onze e treze por cento. As únicas exceções foram "Aquiel", que alcançou a maior audiência da temporada com 14,1 por cento, e "Second Chances", "Chain of Command, Part I" e "Rightful Heir", que foram as três audiências mais baixas com 9,7, 10,2 e 10,8 por cento, respectivamente. A audiência de "Aquiel" foi a melhor desde as duas partes do episódio "Unification" da temporada anterior. A sexta temporada terminou em 21 de junho de 1993 com a primeira parte de "Descent", que registrou 11,7 por cento.
Crítica Keith R. A. DeCandido da Reactor considerou que a sexta temporada era a melhor de The Next Generation, contendo vários episódios criativamente diferentes uns dos outros, histórias que demonstravam crescimento para seus personagens principais e também diversas oportunidades para o elenco se destacar. Ele considerou "Birthright, Part II" e "Rightful Heir" como os dois melhores da temporada, também destacando "Ship in a Bottle", "Tapestry", "Lessons", "Frame of Mind" e "Relics", este último especialmente por trazer Scott de volta. DeCandido considerou que os piores episódios estavam concentrados nos primeiros nove, com exceção de "Relics", com o pior de todos sendo "Man of the People". No geral, DeCandido afirmou que a sexta temporada era "uma sequência impressionante de episódios poderosos, bem escritos e bem atuados". Matt Wright da TrekMovie.com também considerou esta temporada como a melhor da série. Ele destacou "Tapestry" como um episódio "incrível" com "uma mensagem realmente comovente", as duas partes de "Chain of Command" como "excelentes" por seu comentário sobre tortura e direitos de prisioneiros, "Frame of Mind" como "um episódio excelente, alucinante e bastante assustador" e com uma boa interpretação de Jonathan Frakes, "A Fistful of Datas" por seu valor cômico, "Lessons" pela história de amor e "Starship Mine" por dar a Picard mais cenas de ação. Por outro lado, achou que "True Q", "Realm of Fear", "Man of the People", "Aquiel" e "Rascals" eram medíocres, apesar de reconhecer que tinham "momentos redentores". Em resumo, Wright disse que a temporada tinha os melhores roteiristas e episódios que abordavam gêneros e assuntos diferentes. Por outro lado, Jeremy Conrad da IGN achou que a sexta temporada marcava uma transição e foi quando a qualidade de The Next Generation começou a cair, com poucos episódios alcançando o mesmo nível de qualidade de episódios de temporadas passadas. Ele considerou que "Relics" era mais divertido que "Unification" da temporada anterior, que teve a presença de Spock, enquanto "Chain of Command" era uma excelente história de Picard e "Tapestry" um dos melhores episódios envolvendo Q. Conrad escreveu que "Birthright, Part I" era mais interessante do que a segunda parte, que tanto "A Fistful of Datas" quanto "Ship in a Bottle" eram "divertidos" e que "Timescape" era um episódio de viagem no tempo "um tanto descente". Por outro lado, ele disse que a primeira parte de "Descent" continuava a deixar os Borg cada vez menos ameaçadores.
Prêmios A temporada foi indicada a quatro Prêmios Emmy do Primetime, vencendo dois. Joy Zapata, Candace Neal, Patricia Miller, Laura Connolly, Richard Sabre, Julia L. Walker e Josée Normand venceram em Melhor Realização Individual em Penteados para uma Série por "Times's Arrow, Part II", enquanto Alan Bernard, Doug Davey, Richard L. Morrison e Chris Haire venceram em Melhor Realização Individual em Mixagem de Som para uma Série Dramática por "A Fistful of Datas". Além deles, Robert Blackman foi indicado em Melhor Realização Individual em Desenho de Figurinos para uma Série por "Times's Arrow, Part II" e Bill Wistrom, James Wolvington, Miguel Rivera, Masanobu Tomita, Guy Tsujimoto, Jeff Gersh, Dan Yale e Gerry Sackman foram indicados em Melhor Realização Individual em Edição de Som para uma Série também por "Times's Arrow, Part II".
Mídia caseira A sexta temporada foi lançada em DVD nos Estados Unidos em 3 de dezembro de 2002 em uma edição que vinha com alguns documentários de bastidores. Todos os episódios foram remasterizados e lançados em Blu-ray nos Estados Unidos em 24 de junho de 2014 em uma edição com os mesmos extras da edição em DVD, mais novos documentários de bastidores, erros de gravação, propagandas dos episódios, cenas deletadas e faixas de comentários em áudio para "Relics", "Tapestry" e "Frame of Mind".
Referências
Bibliografia
Ligações externas Star Trek: The Next Generation no IMDb