Política / Eleições 2026

Nikolas Ferreira e Pablo Marçal participaram da preparação para o confronto com o petista
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Lula e Flávio no debate da Band — Foto: Renato Pizzutto/Band
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, treinou com o marqueteiro Duda Lima e outros integrantes de sua campanha as aparições atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate da Band neste domingo. A estratégia era produzir imagens de confronto para serem transformadas em cortes e compartilhadas nas redes sociais. Ainda durante o programa, aliados do senador começaram a distribuir vídeos com esses momentos por mensagens e nas plataformas digitais.
O encontro foi o primeiro debate da eleição presidencial, a uma semana da votação. Na Band, os dois candidatos se enfrentaram em um debate livre, com perguntas e respostas entre si, e também responderam a questionamentos feitos pela bancada.
Ao longo de toda a semana, Flávio treinou perguntas e respostas para o confronto com Lula com seus auxiliares. A preparação incluiu simulações com controle de tempo, nas quais o senador fazia perguntas e respondia dentro das regras previstas para o debate. Neste domingo, o treinamento contou também com a participação de Pablo Marçal e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Ambos estavam acompanhando o candidato nos estúdios onde foi realizado o debate.
Uma das estratégias adotadas pelo senador foi circular atrás de Lula enquanto o presidente respondia a perguntas e se dirigia aos telespectadores. Flávio fazia gestos negativos com a cabeça, mantinha a expressão fechada e reagia com o rosto às declarações do petista. A movimentação foi proposital e fazia parte da preparação para gerar imagens que pudessem ser recortadas e compartilhadas nas redes.
A tática foi diferente da planejada para o debate do primeiro turno, quando Lula não compareceu. Na ocasião, aliados de Flávio pretendiam explorar a ausência do petista com perguntas direcionadas ao púlpito vazio. Desta vez, com os dois candidatos frente a frente, a ideia foi usar gestos, expressões faciais e reações às falas do adversário para produzir cenas que pudessem circular na internet.
Segundo um auxiliar do candidato, a estratégia também serviu para tirar o foco das falas de Lula, desviando a atenção do público para as reações e os gestos de Flávio enquanto o petista discursava.
A tática ficou especialmente explícita durante a discussão sobre saúde.Depois de o senador afirmar que convidou Claudio Lottenberg para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo e defendeu que o Sistema Único de Saúde (SUS) tenha o padrão do Hospital Albert Einstein, Lula insinuou que a proposta do adversário significaria privatizar o SUS.
Mesmo depois de concluir sua fala e enquanto Lula ainda estava com a palavra, Flávio permaneceu atrás do petista e gesticulou com as mãos, movimentando o dedo indicador em sinal de discordância.
Ainda durante o debate, a equipe também identificou potencial de repercussão em declarações de Lula sobre os cariocas, em que Lula os chama de “malandros”. Os vídeos com esse conteúdo começaram a circular poucos minutos depois da declaração e aliados de Flávio esperam que isso ajude a diminuir a busca de votos do petista no estado.
Dentre os principais temas do debate estiveram o caso Banco Master, as suspeitas envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os benefícios sociais. Lula questionou Flávio sobre o pedido de recursos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. Já no tema das fraudes no INSS, Flávio passou a explorar acusações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e Roberta Luchsinger, empresária citada nas investigações.
O debate foi marcado por acusações de corrupção, ataques pessoais e poucas propostas concretas, em um confronto que teve momentos de tensão tanto no palco quanto na plateia. Os candidatos exploraram escândalos envolvendo os adversários e trocaram acusações sobre investigações, enquanto referências a líderes internacionais como Javier Milei, presidente da Argentina, e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, também apareceram na discussão.
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