No ar em ‘Por Você’, a atriz conversa com Marie Claire sobre os desafios de sua personagem, a maternidade e o novo momento profissional após 24 anos de contrato com a Globo

Regiane Alves — Foto: Pino Gomes/ @pinogomes

Ao descobrir que estava entrando na menopausa precoce, Regiane Alves, de 48 anos, se viu diante de uma pergunta que a fez repensar a própria vida. “Acabou minha função neste planeta ou eu continuo?”. A reação, que durou alguns dias, veio acompanhada de dúvidas sobre as mudanças no corpo e a possibilidade de ter outros filhos.

Em entrevista à Marie Claire, a atriz fala sobre as mudanças que viveu ao longo dos anos, da maternidade aos novos caminhos na carreira, e conta como tem sido dar vida a Margô, personagem que enfrenta a violência no ambiente escolar e uma suspeita de câncer de mama em Por Você, novela das sete da TV Globo.

Os primeiros sintomas, segundo Regiane, surgiram aos 33 anos, mas o diagnóstico veio apenas aos 44. Embora não planejasse necessariamente uma nova gravidez naquele momento, a notícia a fez confrontar a possibilidade de não ter mais filhos e repensar a maneira como enxergava essa etapa da vida.

“Eu passei por tudo, calorão no meio da noite, cabelo molhado, um calor imenso e depois um frio absurdo. Era uma loucura, eu acordava sempre no mesmo horário, às 4h22. Também tive um zumbido no ouvido que ninguém descobria o que era. Fiquei uns oito meses assim", relembra.

A experiência também a levou a prestar mais atenção à saúde e à importância do acompanhamento médico. “Eu faço exames regularmente para ver se está tudo bem. Não é todo mundo que pode fazer reposição hormonal, então é preciso procurar um médico, conversar e entender os sintomas”, orienta.

Regiane Alves — Foto: Pino Gomes/ @pinogomes

Margô e as histórias que atravessam a vida real

Em Por Você, Regiane interpreta Margô, professora que enfrenta conflitos que ultrapassam os limites da sala de aula. Uma das cenas da personagem, marcada pela violência contra educadores, repercutiu entre profissionais da área, que procuraram a atriz para compartilhar experiências semelhantes.

“Depois da cena de violência na escola, recebi muitas mensagens de professores narrando situações semelhantes. O professor cuida de 30 alunos, de todas aquelas vidas, mas ninguém pensa que esse profissional também precisa de cuidado e atenção”, alerta.

Outro tema abordado pela trama será o câncer de mama. Marcada pela morte da mãe em decorrência da doença, Margô tem medo de realizar exames, situação que servirá de ponto de partida para uma discussão sobre prevenção e diagnóstico precoce.

“É a partir disso que a trama vai discutir a importância do diagnóstico precoce, de não ignorar os sinais e buscar tratamento”, explica.

Margô (Regiane Alves) lidará com suspeita de câncer de mama em 'Por Você' — Foto: Globo/ Gabriel Vaguel

Conforme antecipado à Marie Claire pela atriz, depois que os exames descartarem o câncer, Margô viverá uma nova fase amorosa com Lucas (Amaury Lorenzo), que se separará de Bela (Sheron Menezzes), protagonista da novela.

A atriz, no entanto, acredita que a realização pessoal da personagem não precisa estar associada a um relacionamento. “Acho que a felicidade hoje não caminha necessariamente junto com outra pessoa. Ela caminha dentro de você”, reflete.

Lucas (Amaury Lorenzo) e Margô (Regiane Alves) — Foto: Manoella Mello/ Globo

A lembrança de Manoel Carlos

Ao longo da carreira, Regiane deu vida a personagens que permanecem na memória do público. Entre elas está Dóris, de Mulheres Apaixonadas (2003), uma jovem que ficou conhecida pela crueldade com que tratava os avós. O papel marcou a trajetória da atriz, que trabalhou em três novelas de Manoel Carlos e guarda lembranças afetuosas da convivência com o autor.

“Lembro que, quando fiz a Dóris, aquilo foi um divisor de águas na minha vida, em todos os sentidos. Era meu terceiro trabalho na Globo. No final, o Manoel Carlos me ligou e falou que não conseguia dar um fim para ela. Perguntou que final eu queria”, recorda, aos risos

Dóris (Regiane Alves), de 'Mulheres Apaixonadas' — Foto: TV Globo

Mais de duas décadas depois, a associação com a personagem continua presente, algo que Regiane recebe com carinho. “A gente está falando de uma novela de 2003 e até hoje as pessoas me reconhecem pela Dóris. Quando alguém pergunta quem é a Regiane, é imediato: ‘A Dóris’. Acho muito gostoso você ter uma carreira e ser lembrada por um personagem”, afirma.

Se tivesse a oportunidade de participar de um remake de alguma obra de Manoel Carlos, a atriz gostaria de interpretar uma das Helenas, protagonistas recorrentes nas histórias do autor. Outra possibilidade seria Milena, vivida por Carolina Ferraz em Por Amor (1997).

Regiane Alves — Foto: Pino Gomes/ @pinogomes

Cinco anos até realizar o sonho da maternidade

Mãe de João Gabriel, de 12 anos, e Antônio, de 11, Regiane passou cinco anos tentando engravidar antes da chegada do primeiro filho. A espera contrariou os planos que havia feito aos 30 anos, quando decidiu que era o momento de se tornar mãe.

“Eu tinha trabalhado desde cedo, viajado, feito coisas legais na televisão. Quando fiz 30 anos, falei: ‘Agora eu vou ter filho’. Só que o agora não aconteceu no meu tempo. Aconteceu num tempo divino, do universo.”

Depois de tanto desejar a maternidade, Regiane passou a encarar até os desconfortos da gestação com entusiasmo. “Como eu demorei muito até a maternidade chegar, quando ela chegou, quis aproveitar de todas as formas. Se enjoava ou se ganhava 20 quilos, achava o máximo.”

A chegada dos filhos também exigiu adaptações na rotina. A atriz aprendeu a importância de contar com uma rede de apoio para conseguir dar conta dos compromissos profissionais e dos cuidados com as crianças. Como os pais vivem no interior de São Paulo, ela divide as responsabilidades com uma funcionária que a acompanha há mais de 20 anos e com amigos próximos à família.

Regiane Alves com João Gabriel e Antônio — Foto: Reprodução/ Instagram @regianealves

“Eu acho uma ilusão quando uma mãe engravida e fala: ‘Vou educar meu filho sozinha, vou cuidar e ninguém vai fazer nada’. Não tem como. Você precisa tomar banho, precisa comer, cuidar da sua própria vida”, afirma.

Agora, com os meninos entrando na adolescência, Regiane procura incentivar a autonomia e manter o diálogo dentro de casa. Também considera importante que os filhos a vejam realizada profissionalmente, sem que a maternidade signifique abrir mão dos próprios interesses.

“Não posso deixar de fazer o que gosto, porque isso é muito importante. Quero mostrar para os meus filhos: o quanto é bacana gostar do próprio trabalho. Eles vão aprender através do seu exemplo”, comenta.

Praticante de ioga há mais de 20 anos, a atriz também procura valorizar a qualidade do tempo que passa com as crianças, mesmo quando a rotina é corrida. “Se meu filho chegou da escola, eu tenho uma hora. Talvez naquela hora eu vá me desconectar de tudo e ficar com ele para ver as necessidades dele. Isso é maior do que passar uma semana ao lado do meu filho sem prestar atenção”, defende.

A atriz também reserva parte do dia para atividades de que gosta, como ler, praticar exercícios ou conversar com uma amiga. Para ela, esse cuidado é importante para lidar com a sobrecarga que ainda acompanha muitas mães.
Regiane Alves com os filhos — Foto: Reprodução/Instagram
Liberdade para experimentar outros caminhos
Depois de 24 anos com contrato de longa duração na Globo, Regiane passou a explorar projetos em diferentes formatos. O fim do vínculo fixo com a emissora trouxe mais flexibilidade à agenda e permitiu que a atriz se dedicasse a trabalhos que antes eram difíceis de conciliar com as gravações de novelas.
“Quando acabou meu contrato, consegui fazer duas peças de teatro e quatro filmes. Havia coisas que eu não conseguia fazer enquanto estava ali com o contrato”, explica.
Entre os projetos recentes estão As 10 Vantagens de Morrer Depois de Você, e Cartas para Deus, adaptação brasileira de uma obra norte-americana. Ao avaliar novos convites, Regiane diz priorizar a qualidade do roteiro e a possibilidade de explorar personagens interessantes, independentemente do formato.
“Se tiver um bom personagem e for bem escrito, independentemente de ser teatro ou cinema, eu vou. Isso dá um ânimo, um gás para você estudar e entregar da melhor forma”, afirma.
Regiane Alves — Foto: Pino Gomes/ @pinogomes
A vontade de experimentar outras formas de expressão também a levou à literatura infantil. Regiane já publicou Uma Ilha Fora do Mapa, que aborda sustentabilidade e meio ambiente, e Meu Mundo é uma Bola, desenvolvido em parceria com a pedagoga Liliane Mesquita e inspirado no universo do futebol.
“Eu adorei escrever. Não sei se me sinto corajosa para dizer que vou escrever sozinha e assinar outros projetos, mas gosto muito de ler e de pensar nessas histórias. A arte tem essa função de educar, de entreter, de ser um reflexo do que está acontecendo na sua vida”, conclui.
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