Meninas do Brasil, popularmente conhecido como Gordinhas de Ondina, é um monumento público localizado no bairro de Ondina, em Salvador, município capital do estado brasileiro da Bahia. Foi inaugurado em 4 de dezembro de 2004 e a autoria é da escultora brasileira Eliana Kertész. Representa, em três figuras femininas nuas de bronze, as três etnias formadoras da população brasileira: negra, branca e indígena.

História Em 2004, a cidade de Salvador foi contemplada com a instalação de mais um monumento público: um conjunto escultórico no bairro de Ondina composto por três mulheres gordas nuas, em bronze, medindo 3 metros de altura e pesando aproximadamente uma tonelada cada. A obra foi uma solicitação da Prefeitura de Salvador à escultora Eliana Kertész, na gestão do então prefeito Antônio Imbassahy. Com a encomenda, Eliana deu grandes dimensões às suas esculturas pequenas. As obras foram executadas em uma fundição na cidade de São Paulo. Após a realização de uma maquete em barro e de cálculos estruturais de engenharia, foram modeladas em blocos de barro de três metros de altura, confeccionadas as fôrmas e, por fim, fundidas em bronze. O monumento foi batizado de Meninas do Brasil, inspirado na canção Três Meninas do Brasil, de Moraes Moreira e Fausto Nilo. As esculturas representam as três etnias formadoras do povo brasileiro: a negra, a branca e a indígena. Cada uma recebeu um nome e foi posicionada estrategicamente com o olhar voltado para sua terra de origem: Damiana contempla a África, Mariana, a Europa e Catarina, o interior do Brasil. Segundo Kertész, a primeira mensagem que o monumento propõe é o respeito à diversidade: “aceitar as diferenças e conviver com as diferenças.” Além disso, a obra carrega uma dimensão política do corpo feminino, alheia aos padrões estéticos impostos pela mídia, e utiliza a nudez como elemento de provocação e questionamento social. Com o apelido de Gordinhas de Ondina, as esculturas se tornaram patrimônio afetivo dos soteropolitanos. Apesar de inseridas em uma sociedade marcada pela ditadura da magreza, foram amplamente aceitas e reconhecidas como símbolo cultural da cidade. O galerista Paulo Darzé observa que “as gordinhas de Eliana já nasceram felizes”, e esse estado de espírito seria o principal elo de simpatia instantânea com o público. O monumento também vem sendo reapropriado em campanhas de conscientização social, como o Outubro Rosa, de prevenção ao câncer de mama, e ações voltadas à sensibilização sobre o autismo, reforçando seu papel como espaço de diálogo entre arte e sociedade.

Ver também Eliana Kertész Lista de monumentos públicos em Salvador

Referências

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